Semanário

Impossível manter ritmo nisso aqui.

Essa semana eu tive um daqueles sonhos que trazem uma verdade inaceitável sobre nós mesmos. E me dei conta dessa arrogância. Eu nunca estive satisfeito com nenhum trabalho que eu fiz. Sempre me pareceu que se as condições fossem melhores, eu poderia ter feito algo melhor. Algo que estivesse à altura do que eu posso fazer.

É isso.

E eu sempre achei que fosse timidez. Que fosse vergonha de aparecer, ou algo assim. Mas não. Era exatamente isso aí que eu escrevi acima. 

E percebi quantas vezes eu fui desrespeitoso com a gente que já trabalhou comigo por isso. Fui desrespeitoso porque coloquei nosso trabalho num lugar precário que ele nunca esteve. A lista é longa aqui. Já fiz isso tantas vezes que perdi a conta.

E nunca foi nada sobre as outras pessoas. Foi algo sobre eu mesmo. Sempre foi. Mas com certeza eu fiz merda com os outros.

Esse lugar da quarentena é também o purgatório.

Todos nós estamos à beira da morte. Todos nós.

A morte nunca esteve tão presente em nossas vidas.

E essa presença vai trazendo à tona todos os nossos pecados.

Só pude fazer algo como artista depois desse sonho doído.

Daí acordei com idéias de coisas que eu poderia fazer. E que fui fazendo, aos trancos e barrancos. Entre partidas de jogos de guerra no computador (nada me desestressa mais do que um bom jogo de tiroteio), grama cortada, comida feita, cuidar das lições dos meninos.

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