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Mostrando postagens de março, 2020

Negando

Eu acho que eu passei essas duas semanas em negação. Não estava aceitando a mudança das coisas. Estava ainda agarrado às muletas da minha vida e não estava entendendo como seguir. Eu me dediquei a cuidar dos meus, porque é impossível pra mim não fazê-lo. Mas sobre o mundo, sobre minha função nisso, não sabia como seguir. O dia de ontem foi cheio de altos e baixos. Mas o comunicado de uma amiga sobre receber um adiantamento por um trabalho que ainda faremos me tranquilizou mais do que financeiramente. Foi bom saber que estou emparelhado com gente assim. Então eu pude voltar a pensar no que fazer para a comunidade maior em que me insiro. Gravar a leitura da Sra. Taurino me trouxe a alegria, que é meu combustível. O riso do outro me anima a continuar vivo. E eu não posso me esquecer disso. Hoje eu já gravei alguns audios para meus amigos do Conselho de Pais da Guayi. Ouvi como estão lidando com isso tudo. Gravei audios para outros amigos. Ouvi suas mensagens. Meu compadre sugeriu de ...

Sra. Taurino

A minha irmã Denise me pediu para fazer uma live hoje, pelo Instagram. Passei umas duas horas tentando fazer a abençoada junto com a Dani, que trabalha com a Dê lá na Taba. Não deu certo. Então eu fui lá pro teto da nossa casa e me sentei nas abençoadas cadeiras de praia que eu comprei no fim do ano passado e fiz a leitura pra o site dela. Que delícia! Eu me divirto fazendo essas coisas. Acho que vou fazer mais. Vou ler outros livros, talvez. https://www.youtube.com/watch?v=mDecUdHaRcA Mas hoje eu me preocupei mais com a quarentena. Acabei de avisar aos meninos que a partir de amanhã, não sairemos mais para a nossa caminhadinha matutina. Vamos ficar aqui dentro de casa. Usando nossa casa um pouco mais. Indo para o teto verde, e olhando o mundo ali de cima. Vamos usar mais essa parte da casa, que usamos tão pouco. Amanhã eu tenho grama pra cortar e um jardim para pensar, talvez. Talvez. Meus pais foram passar uma semana na Paraíba e agora não conseguem voltar. A quarentena os...

Formação de quadrilha

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No nosso ritmo diário, eu incluí algumas caminhadas pelo bairro com os meninos. As crianças estudam numa Waldorf, que fica num sítio, lá em Embu das Artes (Escola Waldorf Guayi). É muita natureza, muito espaço e a comunidade, que é maravilhosa. Como eu vou manter os caras em casa o dia todo? Nós ficamos longe das pessoas. Observamos a segurança toda. Bom dia, boa tarde. Sempre à distância. No caminho coletamos flores bonitas, para mostrar para a mãe que fica em casa. Cada um com uma tarefa. Chico desenha as flores. Gabriel faz um mapa do caminho, que todo dia muda e eu nunca conto qual vai ser a rota (primeiro porque eu adoro andar assim, sem saber direito onde estou indo e segundo, para manter a surpresa e controlar a ansiedade). Pedro escreve o que observou. Mas agora já começamos a ser olhados como malucos. Agora já tem muita gente com as máscaras. Pouca gente na rua. Eu passo com minha quadrilha e aquela senhora procura um lenço pra colocar na cara. Ela aperta o passo na no...

Perdendo a conta

Os dias começam a ficar repetitivos. E eu começo a me perguntar para quê escrever esse diário. Estou tendendo a negar os acontecimentos. Como se a história tivesse parado. Mandei um pedido de socorro pelas redes, perguntando como é que eu faço para ganhar dinheiro nessa situação. Então apareceram algumas ajudas. E eu comecei a fazer umas coisas novas. Descobri que eu poderia ter ganhado algum dinheiro implementando a automação que fiz aqui em casa na minha cisterna. Que eu poderia ter vendido para outras famílias algumas soluções que eu desenvolvi aqui em casa e que funcionam muito bem ainda, depois de dez anos. Aliás, a melhor coisa foi ter feito essa nossa casa do jeito que fizemos. Quero dizer que eu sempre sonhei com essa parada geral do sistema. Sempre. Isso pra  mim é lindo. Nesse sentido. Nós não pararíamos. Iríamos continuar negando o que estava acontecendo com a gente. Ainda estamos nisso. Ainda estamos esperando o vírus ir embora para continuar destruindo tudo só p...

Dois

Depois do almoço é sempre mais complicado. A Claudia no Detran, tirando uma impressão digital, burocracia que a essa altura parece ainda mais inútil do que já é. A máquina da biometria não está sendo higienizada. No Twitter, o monstro e seus asseclas lutando com as máscaras cirúrgicas, tentando fingir que desconhecem a força dos panelaços espontâneos. O mercado já cansou deles. Higienópolis cansou deles. Ficam tentando parecer governantes, falando qualquer coisa que ninguém mais presta atenção. A gente prestou atenção no Haitiano. Nesse sim. Eu ainda sento e assisto as minhas aulas de Pentest. Por qualquer motivo o Linux que eu estava brincando começou a dar problemas. E não consigo ir adiante. Razão pra me enfiar novamente nas notícias e lamentar por isso, mais uma vez. Ao que parece vamos atravessar isso tudo sem presidente. Sem o que realmente seria um presidente, e não essa figura nefasta, incapaz de colocar uma máscara que não a dele mesmo. Os filhos de Bannon, no m...

Tentando Ritmo

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Ressaca de champanhe, mas pensando no ritmo. Acordei, lavei louça. Twitter. Twitter. Preciso parar com isso. Instagram. Instagram. Chega. Lavar a louça que eu ganho mais. ... Botando os caras para me ajudar em tudo. A mãe dorme ainda. Dorme porque passou a madrugada com insônia, pensando no apocalipse. Depois do café da manhã, da louça lavada, saio com eles pra caminhar pelo bairro. Fazemos o caminho que sai da nossa casa, sobe a Paulo Ângelo, vai até a calçada da Raposo, desce pela rua atrás do Habibs, passa pela Igreja, o Lar Beneficente Alemão, a CETESB, até o mercado São Francisco e a Praça Elis Regina. Explico pra eles que a gente vai fazer isso todo dia nesse horário. Mas que vamos mudando os caminhos sempre. E que a gente não vai poder brincar nos parquinhos. Nem ficar apertando as mãos das pessoas e abraçando. Que a gente vai dar um tempo de ir na pastelaria ou comprar sorvete. Vamos sempre caminhar, pelo exercício. Mas não vamos poder ficar comprando coisas. E a...

Dia Dois falando do Dia Um

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Começo isso aqui no dia dois mesmo. Porque no dia um, eu estava sem entender que tudo isso já havia começado. Eu tomei decisões no sentido de proteger meus meninos e fui ficando em casa, mesmo sem saber quando e como eu iria ganhar dinheiro nessa situação toda. No meu primeiro dia, eu soltei as coisas que eu costumava carregar comigo para ganhar meu dinheiro. Soltei o teatro. Soltei meus quebra-cabeças de escape room e minhas engenhocas. Entrei na internet e fui procurar o que é que as pessoas precisavam agora. E que eu pudesse oferecer online. E que desse algum dinheiro. Mas estamos todos ainda muito confusos. Eu comecei a me aprofundar em segurança de redes. Estou fazendo um curso online gratuito sobre isso. Talvez seja um caminho... Mandei audios para meu irmão no Canadá e minhas irmãs, em Londres e Vila Leopoldina. Não paro de pensar neles e nas suas vidas. Mais tarde fui conseguindo falar com cada um ou ouvir também os seus audios. A gente queria que os pais da gente f...