Fala aí, Jabá
Eu, a Clau e os meninos íamos sempre na pastelaria aqui do bairro. É um programa baratinho, dá para ir a pé e a molecada sempre se diverte. Às sextas, quando a molecada pousava na casa dos meus pais, a gente aproveitava para namorar um pouco, comendo pastel e tomando cerveja.
Numa dessas sextas, eu escuto uma voz de uns vinte anos atrás me chamando. Demorei para reconhecer, porque 20 anos é tempo pra o irmão pentelho do seu amigo de escola virar um cara que você encontra num boteco da esquina. Era o Michel, irmão do Franklin e do Leo. Amigos da época em que eu estudei no Instituto São Pio X, lá em Quitaúna.
Legal demais ver o cara ali, porque eu me lembro dos irmãos com quem tomei minhas primeiras cervejas roubadas do Seu Medeiros. A gente dá muita risada, no pouco tempo de conversa. Saudades dos caras e sempre essa pergunta que vem, porque é que a gente deixa de ver alguns amigos depois de um tempo?
A gente se divertia, tomava cervejas, dava muita risada. Não brigamos nem nada. Mas cada um foi trabalhar com uma coisa diferente, estudar num lugar diferente, e quando percebemos, vinte anos se passaram e a gente nunca mais se viu. E ali estava o Michel, irmão caçula do Franklin, me trazendo esse pensamento na hora.
Contei pra Clau toda a história deles, enquanto voltávamos pra casa.
Hoje eu soube que o Michel faleceu de Corona. Foi a primeira vítima próxima.
Fico pensando em 20 anos de abraço que eu queria dar na sua gente hoje. Caralho, velho. Caralho.
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