Formação de quadrilha

No nosso ritmo diário, eu incluí algumas caminhadas pelo bairro com os meninos. As crianças estudam numa Waldorf, que fica num sítio, lá em Embu das Artes (Escola Waldorf Guayi). É muita natureza, muito espaço e a comunidade, que é maravilhosa.
Como eu vou manter os caras em casa o dia todo?
Nós ficamos longe das pessoas. Observamos a segurança toda.
Bom dia, boa tarde. Sempre à distância.
No caminho coletamos flores bonitas, para mostrar para a mãe que fica em casa.
Cada um com uma tarefa. Chico desenha as flores. Gabriel faz um mapa do caminho, que todo dia muda e eu nunca conto qual vai ser a rota (primeiro porque eu adoro andar assim, sem saber direito onde estou indo e segundo, para manter a surpresa e controlar a ansiedade). Pedro escreve o que observou.
Mas agora já começamos a ser olhados como malucos.
Agora já tem muita gente com as máscaras. Pouca gente na rua.
Eu passo com minha quadrilha e aquela senhora procura um lenço pra colocar na cara. Ela aperta o passo na nossa frente.
E eu digo a eles que esperem. Que mantenham a distância. Que se mantenham firmes.

Ontem não saímos. Porque eu precisei aprontar os computadores para a quarentena. Meu Macbook antigo foi formatado e ficou para as crianças. Eles estão fazendo hangouts e recebendo as lições pelo meu WhatsApp e eu tinha que ficar esperando isso acabar para poder usar. Minha máquina nova também precisava de uma otimizada e eu já fiz tudo ontem.

Então os meninos ficaram por aqui, dentro da casa. Mas no fim da tarde, foram pro teto verde. Que benção ter feito isso! Que benção ter construído essa casa assim!


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